Review | Sword Legacy: Omen

Muitos conhecem a história da lendária espada Excalibur, do grande Rei Arthur, mas poucos sabem sobre a origem e como ela foi ficar presa em uma pedra, porém Sword Legacy: Omen está aqui para mostrar isso, contando a história de guerreiro Uther, com o feiticeiro Merlin e seus aliados em um jogo tático com mecânicas que possuem um ótimo ideal, mas uma execução, infelizmente, não tão boa.

A base de um jogo tático está toda aqui, com cada personagem possuindo uma variedade de Pontos de Ação (PA) distinta, sempre dependendo do seu tipo, ou seja, personagens mais habilidosos podem se mover mais e os mais pesados se movem um pouco menos, mas com a ajuda de alguns itens você vai conseguir aumentar a mobilidade dos seus personagens. Uma das mecânicas que os desenvolvedores apresentam como novidade é exatamente como você vai utilizar os PA, podendo assim mesclar movimentos livremente entre os seus personagens e o outro é o sistema de stress, que substitui a mana que seus personagens usariam por Pontos de Determinação (PD), e acrescentam um risco maior aos utilizarem todos os seus PD, fazendo com que entrem em pânico caso algum aliado venha a óbito e podendo atacar o inimigo ou aliado mais próximo ou simplesmente fugir e gastar todos os seus PA, inutilizando um ou mais turnos, mecânica semelhante ao jogo Darkest Dungeon, só que empregado de forma bem mais simplificada.

A quantidade de personagens foi algo um tanto desagradável, somente oito, sendo eles Uther (Guerreiro), Merlin (Feiticeiro), Gwen (Ladra), Duanne (Lanceiro), Felix (Curandeiro), Ferghus (Bárbaro), Fint (Arqueiro) e Gorr (Anão Ferreiro). Considerando o tempo que leva para ser concluído, em torno de 15 horas, é algo bem aceitável, porém a maioria dos fãs de jogos táticos levam como exemplo o Disgaea e/ou Final Fantasy Tactics, que possuem uma grande variedade de personagens e infinitas horas para ser concluído podendo ser encarado como um ponto negativo para a maioria dos jogadores.

Outro ponto desagradável é o level design do jogo que apesar de o jogo cumprir com os “cenários interativos”, sendo basicamente a interação com alguns barris e caixas, que possuem efeitos negativos (chamas ou veneno) que servem para ajudar no combate e também possuem alguns itens ou dinheiro, ele falha na interação com o resto do ambiente, pois essa interação simplesmente não existe, frustrando o jogador com as famosas “paredes invisíveis”. Além dessas falhas no level design do ambiente do jogo, existe outra nos próprios personagens, que quando vai selecionar um personagem, você acaba clicando em um bloco, fazendo com que seu personagem gaste um ou mais PA com movimentos indesejados e em alguns momentos podendo levar a derrota no jogo.

Na parte de comunicação do jogo os desenvolvedores mostraram um pequeno humor em nosso idioma, trazendo referências como “No céu tem pão? E morreu”, trecho famoso dito por Didi, que no contexto do jogo ficou bem engraçado, entre outros, porém algo que pode deixar o jogador irritado ou até mesmo cansado é o fato de não existir nenhum tipo de som quando os personagens estão conversando, como um som ambiente, ou cliques do texto sendo digitado, ou uma dublagem, que poderiam ser uma linguagem própria do jogo, algo que já existe desde o primeiro The Sims, jogo de 2000.

O visual do jogo, que é bem cartoonizado é muito bonito, um dos grandes atrativos do jogo, juntamente dos efeitos visuais, apesar de serem bem simples, ou simplesmente não remeter a ação que o personagem faz (como cortar a cabeça e o inimigo aparecer com a barriga cortada), são bem feitos e gratificantes, contando também com uma trilha sonora bem simples.

Os bugs desse jogo também são coisas que atrapalham bastante e podem levar a perda total de uma partida. Já foi comentado aqui sobre o “bug do miss click”, agora com um bug onde o inimigo simplesmente não executa ações, mas o jogo continua rodando normalmente, forçando a reinicialização do jogo e outro bug que logo após o seu personagem ganhar uma batalha e seguir para outra, só o “líder” anda e ao iniciar a batalha seguinte só o líder participa dela, pois os outros estão muito longe para conseguir chegar no local a tempo, forçando também a reinicialização da fase.

Conclusão: Sword legacy: Owmen era um jogo com um potencial altíssimo e uma proposta ambiciosa, que se fosse aplicada de forma correta, qualquer um ignoraria a campanha curta e elogiaria o jogo, por abordar uma parte incomum da mitologia da Excalibur. Considerando o que o jogo oferece, eu recomendo que compre com desconto, caso goste muito do gênero e consiga ignorar os bugs, caso não seja fã do gênero, mas queria testar o jogo, espere ficar por uns R$10.00, que vai estar bem pago.
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