Review | Rise of the Tomb Raider

Ascenção
É disso que este jogo se trata, da ascensão de Lara e sua franquia. A narrativa aprimorada faz com que o protagonismo da personagem neste título se sobressaia ainda mais em relação a qualquer outra questão retratada, o ambiente e a aventura ainda têm um papel fundamental, mas não tanto quanto no título anterior.

Já não é segredo para ninguém que a família Croft é conhecida pelas suas aventuras, os ''doidões aventureiros''. Pois bem, Rise tem início na perseguição de Lara por mais uma dessas aventuras, uma que seu pai (novamente) teve envolvimento no passado, mas sem sucesso. Depois dos acontecimentos do primeiro jogo Lara está convencida de que seu pai não era de fato louco, pois a aventureira viu com seus próprios olhos que o velho não era biruta. Dessa vez Lara vai até a Sibéria em busca de um artefato misterioso do qual acredita-se ser um fragmento da alma de Deus.

O inimigo aqui representa um perigo ainda maior, dessa vez a Trindade (a mesma organização por trás dos eventos do primeiro jogo) quer colocar as mãos nesse artefato a qualquer custo. Reviravoltas mirabolantes, porém clichês, acontecem ao longo da campanha, e isso talvez seja onde o jogo mais peca, na falta de um enredo surpreendente e cativante. Rise tem cenas muito bem feitas e dirigidas onde Lara é posta exatamente no lugar que deve estar, mostra como ela é humana, além de batalhar pelos seus objetivos, você às vezes até se identifica com a personagem, mas depois vê que o ponto central da trama é desinteressante, pois parece que você já viu essa história milhares de vezes em filmes e/ou séries.

Há também alguns furos no roteiro, como por exemplo o fato de Lara ficar com medo de um simples barulho à noite e literalmente cinco minutos depois estar metendo bala em um sujeito. São detalhes que as vezes passam despercebidos, mas depois de raciocinar por dez segundos, você percebe o quão podre e comprometedor isso é pro enredo. Aí o jogo fica a mercê da jogabilidade, que por mérito dos desenvolvedores é muito boa e provavelmente sustentará o seu jogo até o final.

Com uma ambientação de cair o queixo, a volta das tumbas e colecionáveis, e a real necessidade de recursos este jogo te encoraja a explorar mais, entretanto, é válido ressaltar que joguei o jogo no modo mais difícil possível, fato muito criticado por mim no primeiro jogo, por ele ser muito fácil. Nessa dificuldade ele realmente impõe vários limites ao jogador, com inimigos são mais resistentes, recursos são mais limitados, habilidades que requerem mais experiência e com o acampamento sendo a unica opção para poder salvar o jogo.

Além dessa melhoria, há a questão do level design ser ligeiramente mais trabalhado e facilitar a locomoção de maneira geral para quem não gosta de usar a viagem rápida, da inteligência artificial (IA) ser muito melhor e ajudar na imersão quando utilizada a opção da furtividade, do sistema de habilidades ter sido aprimorado e ajudar na diversidade de melhorias e habilidades, entre outros. No geral toda a parte que diz respeito a jogabilidade foi melhorada em relação ao título anterior, exceto as escaladas, que se mostram mal polidas e por muitas vezes fez com que a Lara cometesse suicídio por causa um movimento mal executado, sendo basicamente o que acontecia muito nos jogos da franquia Assassin's Creed's antigos, dando a impressão de falta de controle.

Apesar dos mapas não apresentarem uma diversidade alta na maioria do tempo, uma vez ou outra você vai parar só para observar as paisagens e os detalhes que os cercam, todos eles são muito bonitos e ajudam a criar um clima ainda melhor do que o visto no jogo de 2013.

Os quebra-cabeças das tumbas são uma das melhores coisas do jogo, ou seja, explorar é essencial para uma experiência completa, se você é do tipo de jogador que passa por cima de tudo, sem prestar atenção na campanha, com o objetivo de zerar o mais rápido possível, talvez este jogo não te agrade, pois vai estar perdendo grande parte do que Rise of the Tomb Raider pode te oferecer.

Os gráficos insanos contribuem muito para a imersão e o realismo presentes, e há muita ênfase nisso, tanto que até mesmo os detalhes mais minuciosos possíveis não foram deixados de lado, como por exemplo o fato da roupa da personagem se "encher" de neve com o decorrer do jogo.

Eu gostaria de dizer que o jogo seguiu a mesma linha do primeiro em relação a otimização, mas infelizmente não é verdade. Tive vários problemas de desempenho ao longo das minhas 27 horas de jogo rodando ele em uma máquina bem superior aos requisitos recomendados, com problemas que impactaram bastante na experiência, tais como quedas de frames e crashes. Em diversos testes que fiz entre amigos, só pude concluir que o jogo é "completamente bipolar", pois ora rodava em 100fps, ora rodava em 30fps, com travamentos e lags que tornavam o jogo injogável.

Um detalhe curioso sobre este jogo é que suas cutscenes possuem gráficos melhores do que o jogo em si e o fato delas rodarem em tempo real, ou seja sem pré-loading, faz com que elas sejam mais "pesadas" do que o gameplay, algo que só vi acontecer em um jogo, o Mass Effect Andromeda.

Outro problema comum que tive foram as mesmas animações bizarras vistas no jogo anterior, animações como esta. Não é algo que estragará o seu jogo completamente, mas é o mesmo problema visto em um jogo anterior, isso mostra que nem tudo foi corrigido e que ainda há coisas básicas faltando polimento mesmo três anos após o seu lançamento original.

A parte sonora está impecável, a trilha ajuda muito na construção da aventura e nos vários momentos emocionantes da campanha. A dublagem (Português do Brasil) é uma das melhores que já vi em um jogo, conta com feras como Fernanda Bullara, Francisco Júnior e Charles Dalla.

Infelizmente o preço não é tão convidativo quanto o do primeiro, entretanto, este é um título que está constantemente entrando em promoção, chegando a ter descontos de até 75%, ficando assim por R$32,49, valor que considero mais do que justo para o que ele oferece, mas isso sou só eu.

Conclusão: O jogo apresenta melhorias significativas em relação ao seu antecessor, os gráficos estão incríveis (até mesmo para a época de lançamento), a inteligência artificial foi muito aprimorada, a narrativa e cutscenes (CG's) estão mais trabalhadas, enfim, Rise é uma evolução geral que foi apresentado no reboot de 2013 e por isso digo que se você gostou daquele jogo este aqui definitivamente te agradará, mas quem não gostou provavelmente também não gostará deste.
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