Review | Yonder: The Cloud Catcher Chronicles

Este é o tipo de jogo que costumo chamar de ''cute game'', um game ''fofinho'' e bastante casual que dificilmente agradará quem busca por desafios, combate, lore, essas coisas. Yonder: The Cloud Catcher Chronicles conta uma história clichê, a velha história do ''escolhido'' que precisa salvar o mundo das ''trevas'', basicamente falando é isso. A história em si não é ruim, mas definitivamente não é algo que se destaque, há muitos jogos por aí que apresentam um enredo mais rico e cativante, como por exemplo RiME.

Antes de falar sobre a jogabilidade é importante mencionar que Yonder não é um Stardew Valley 3D, por favor não compre este jogo com um pensamento desses. Há semelhanças inegáveis, mas não ao ponto de chamá-lo de uma ''cópia mal feita'' (como vi em algumas análises). O foco em Yonder é o mundo, a criação, a exploração e principalmente suas missões, a fazendinha está lá, mas nem de longe é o principal recurso, e se você realmente jogar vai entender o que estou dizendo.

Temos um mundo aberto onde é possível explorar, coletar recursos, fazer missões, pescar, cuidar da fazendinha e outros. A jogabilidade foi adaptada de forma bacana e os controles respondem super bem, dá até gosto de jogar com os Joy Cons, coisa que qualquer dono de Switch sabe que nem todo jogo consegue fazer tão bem.

No mundo de Gemea não há combate, não há desafios complexos e os quebra-cabeças são pra lá de fáceis, isso talvez tenha prejudicado um pouco o game, pois quase tudo é mais fácil do que deveria, há uma forte sensação de que as coisas foram amaciadas para tornar o jogo o mais casual possível, assim como uma ave tritura a comida para alimentar seus filhotes, sabe? Entendo que o foco do jogo é ser casual, mas parece que deram tanta ênfase nisso que o jogo ficou sem graça a partir de certo ponto, por isso torno a repetir: Yonder não é para quem quer desafios!

Outro elemento um tanto desanimador é o sistema de recompensas, você não sente que foi recompensado à altura dos seus serviços, sem falar da questão monetária defasada pelo preço estabelecido por certos mercadores e da falta de um sistema que lembre o jogador que ele está, de fato, fazendo progresso. Essa questão monetária é mais uma característica de que o jogo foi amaciado... você consegue abusar de promoções e comprar vários itens por 90% desconto ou mais.

Há também o sistema de crafting integrado, com os recursos coletados é possível criar coisas, trocar por materiais, etc. É um sistema bacana, entretanto ele é como quase tudo no jogo, simples demais.

No geral o port pro Switch foi bem feito, mas fora da dock é notável que a resolução foi bastante sacrificada e isso talvez prejudique nos pontos em que o jogo mais brilha, sua beleza gráfica, sua arte e seus visuais. Você se perde na beleza do mundo, para, tira screenshots, explora mais um pouco, vê um animal e observa, contempla a flora, sente a imersão e o quanto aquele mundo é lindo. É como eu sempre digo, jogos também são uma espécie de arte.

Falando em arte, os gráficos são muito bonitos e lembram jogos como The Legend of Zelda: The Wind Waker, My Time At Portia e o já citado RiME. Simplesmente não há o que criticar em relação a isso. Tenho certeza de que você se sentirá nas nuvens ao explorar as terras de Gemea.

O desempenho no geral é aceitável, tive alguns problemas gráficos em relação a objetos não renderizando e coisas do tipo, mas nada que afetasse a experiência a ponto de merecer uma crítica, afinal, todos os jogos têm problemas, o que não pode acontecer é um desses problemas afetar a experiência do jogador.

Conclusão: No final temos aqui um jogo lindo e que deve agradar quem busca algo mais casual, porém, ele tem seus problemas e isso precisa ser levado em consideração na hora de considerar a compra, os $25 (Nintendo eShop) e R$45,99 (Steam) cobrados pelo produto parecem não fazer sentido quando você o joga, por isso gostaria de recomendá-lo somente em promoção, talvez algo em torno de R$15-20 seja mais justo, mas isso vai variar de jogador para jogador, obviamente.

É duro de admitir, mas o fato é que este jogo era (e ainda é, caso façam uma mega atualização) muito mais promissor. Faltam recursos que jogos desse gênero e estilo precisam ter, recursos tão essenciais que sem eles a alma do game é perdida, foi aí que o jogo pecou, é como comer uma coxinha recheada com purê de batata doce em vez de frango.
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