Review | Immortal: Unchained

Dark Souls de tiro, Uma ideia interessante, porém mal executada.

Immortal parte de uma história clichê, você é um guerreiro (ou uma guerreira, se assim preferir) condenado a uma prisão eterna por aqueles que temiam o seu poder, entretanto, um apocalipse iminente se aproxima e você é libertado como última tentativa para salvar o cosmo, com a premissa de que ''o escolhido'' deverá perambular pelos mundos em busca de uma solução para evitar o fim de tudo, um clichê bem conhecido por todos da industria do entretenimento. Em um primeiro momento a sensação que o enredo transmite é bacana, com um ar de mistério e profundidade que provavelmente irá te entreter o suficiente enquanto você sofre com a dificuldade imposta, mas a medida em que você vai avançando, o enredo vai ficando mais e mais desinteressante e no final a sensação é que faltou dedicação por parte dos escritores e roteiristas.

É inegável que a ideia do jogo é inovadora, buscando toda a essência de Dark Souls e mesclando o combate, com armas de fogo (rifles, metralhadoras, sub-metralhadoras, pistolas e mais), mas também com a opção de construir uma build focada no corpo a corpo, porém o jogo nunca deixa clara essa possibilidade, e isso fica menos evidente ainda quando encontramos os primeiros chefões, dos quais possuem ataques principais focados em longas distâncias. É importante mencionar que todos os inimigos (incluindo chefes) carecem de inteligência artificial e que isso faz com que criem-se inúmeros problemas no jogo e consequentemente com o jogador, como por exemplo o fato de ser possível derrotar facilmente um chefão prendendo-o em alguma parede ou qualquer outro tipo de objeto presente no jogo.

Ao criarmos nosso personagem é mostrado um leque considerável de opções de customizações, mas infelizmente o jogo falha em fazer com que essas opções sejam úteis, por exemplo, ao escolhermos o sexo do personagem as feições e características físicas são tão semelhantes que você nem saberá se escolheu um personagem feminino ou um masculino, não tendo se quer uma alteração no porte físico do personagem. E na construção da build o problema é bem mais sério, pois afeta diretamente a jogabilidade... infelizmente há um enorme desbalanceamento nas armas, inclusive isso vem criando discórdia e reclamações por parte da comunidade desde o dia do lançamento, embora os desenvolvedores tenham lançado uma atualização para melhorar o balanceamento, eles não se mostraram tão efetivos quanto deveriam e isso gerou ainda mais reclamações.

Explorar um local, descobrir segredos, coletar itens e prosseguir para uma luta contra chefe, no geral o jogo se resume a isso. O combate funciona da mesma forma que qualquer outro Souls, com grande foco no gerenciamento da estamina, do dano e da build, além da questão das habilidades especiais que cada arma possui e da sua ''barra de mana'' utilizada para executar tais ataques. Mencionar Souls a todo momento é algo bem chato, mas infelizmente este jogo é o que é, praticamente uma cópia, e por isso tantos elementos de Dark Souls estão presentes aqui, tais como o fato de não existir pause, quando utilizamos as ''fogueiras'' para salvar os inimigos renascem, atacar inimigos por trás causará mais dano, seu nível será definido pela quantidade de ''almas'' gastas, ao morrer você perderá todas as suas "almas" não gastas e poderá recuperá-la caso não morra uma segunda vez, entre outras coisas.

O grande problema é que só pegar essas mecânicas e misturar tudo não funciona muito bem se você não tiver atenção com os detalhes, ainda mais se for acrescentar uma mudança tão importante quanto a mecânica das armas. É perceptível que falta muito polimento em relação a implementação dessas mecânicas, principalmente em relação a jogabilidade. Junte isso com uma série de problemas relacionados ao comportamento da câmera, a movimentação e ao já citado desbalanceamento e o resultado final será um excelente mexidão, porém azedo.

Outro dos grandes problemas que o jogo possui é o level design. Não tenho certeza se isso é uma característica (falha) de jogos desse gênero, mas há muito abuso em trechos dos quais seu personagem é incapaz de prosseguir, por exemplo uma pedra de dez centímetros de altura ou uma fresta da qual seu personagem poderia facilmente passar, mas por algum motivo ''desconhecido'' (paredes invisíveis) ele não passa. Tudo isso pode significa a sua morte caso tenha algum inimigo na sua cola, morrer aqui é algo bem comum, mas morrer por causa de uma parede invisível é muito desanimador. E infelizmente não para por aí, os mundos são de certa maneira mal estruturados, com falta de criatividade e carência de detalhes, as únicas coisas que merecem elogio são a distribuição de armadilhas (fique atento, cada dano sofrido pode ser mortal) e os caminhos diferentes para se chegar em um chefão, fazendo com que o jogador tenha que explorar muito o ambiente e depois descubra que tinha um caminho alternativo mais curto em um local mais "escondido".

Da mesma forma que este jogo incorpora grande parte das mecânicas do gênero criado pela From Software, ele também deixa de desfrutar de um de seus principais atrativos, o modo online. Ainda que muitos jogadores escolham ignorar o online por causa de problemas de conexão e cheaters, muitos pensam da forma contrária e adoram enfrentar chefões com ajuda de amigos ou até mesmo brincar nas invasões. Eu sinceramente não descarto a possibilidade desses modos serem adicionados no futuro, entretanto, acho que há muito o que melhorar e corrigir antes que possam dar foco nisso.

Graficamente o jogo é ultrapassado, não espere por nada comparável com jogos dessa geração,aparentando ser um jogo da década passada, mais ou menos como o Darksiders. Entretanto, o fato dos gráficos não serem tão bons ajuda na questão da otimização, sendo um bom exemplo de software que roda da maneira satisfatória, mesmo em máquinas mais ultrapassadas, porém carece de algumas opções gráficas, como a a de não existir uma opção de destravar a quantidade de frames que é travado em 60, mas no geral está bem ok.

Conclusão: Embora minha bagagem com os jogos da From Software não seja muito grande, sinto que este jogo serviu como uma boa introdução ao gênero, principalmente em relação a mecânicas que antes de jogá-lo eu repudiava, mas a dura verdade é que Immortal: Unchained é um jogo de nicho feito para nicho e que provavelmente só agradará quem é fã do gênero Souls, ou talvez não, afinal sua carcaça possui sérios problemas que prejudicam a experiência de maneira geral e seu preço inicial atual é absurdo (R$93,99) não condizendo com o que é apresentado pela Toadman Interactive.
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