Review | Shadows: Awakening

Quase um Diablo, quase.

Shadows: Awakening é o retorno da saga Heretic Kingdoms, anunciado no dia 17 de agosto de 2017 e lançado no dia 31 de agosto de 2018, o jogo trás consigo a missão de materializar o tão aguardado ''Book 2'' e também implementar uma nova história à saga, por isso é importante mencionar que Shadows: Awakening não é em si uma sequência de Shadows: Heretic Kingdoms, o jogo é, na verdade, parte remake e parte sequência, mas ainda assim é recomendado jogar o game anterior, porém não é totalmente necessário. Há alguns problemas relacionados ao esclarecimento de certas coisas, principalmente relacionado a lore, mas não é algo que irá quebrar completamente sua experiência.

Na introdução é mostrado que um dos membros do Penta Nera, uma organização secreta criada para libertar o mundo das garras cruéis de uma opressão religiosa, invoca um demônio do Reino das Sombras capaz de possuir almas de heróis mortos.

A essência deste jogo está nas possibilidades. No começo nos é apresentado três opções de almas para devorar: Um guerreiro, um arqueiro e uma feiticeira, cada um com suas peculiaridades, atributos e personalidades. Ao longo da campanha nosso demônio chamado de ''Devorador'' poderá devorar a alma de até 14 heróis, isso ajuda muito no fator replay, pois cada personagem tem a sua forma diferente de interagir com o mundo, com suas personalidades e suas histórias diferentes. Dependendo das suas escolhas e caminhos ao longo da campanha certos personagens não estarão mais disponíveis para serem ''devorados'' e incorporados ao grupo. No final, se você não se importar com a repetitividade há conteúdo o bastante para mais de 60 horas de jogo.

Mesmo que no começo as informações não sejam ''jogadas na nossa cara'', não demora muito para que nosso real objetivo seja revelado. Quase todos os membros do Penta Nera foram mortos e suas almas foram consumidos por outros demônios Devoradores. Partindo do ponto onde o mundo está ferrado, caberá a você o dever de restaurar o equilíbrio entre o mundo dos mortos e o plano mortal. Shadows: Awakening apresenta um enredo rico em detalhes e uma história complexa que conta com alguns clichês, mas que no final se sustenta bem.

Shaodws: Awakening é um jogo dois em um, com a capacidade de alternar entre o Reino dos Mortos e o dos vivos usando o poder do Devorador dando ao jogo uma característica que possibilita o uso de diversos esquemas de exploração, quebra-cabeças e combate. Por exemplo, há caminhos que só o Devorador poderá atravessar (no mundo dos mortos) e há caminhos que só nossos heróis poderão atravessar (no mundo dos vivos), mas não só caminhos, nesses dois mundos existem diferentes inimigos, locais, itens e até mesmo missões.

O jogo conta com uma combinação de vários elementos para criação de builds e isso possibilita uma enorme gama de possibilidades:
  • Equipamentos: Basicamente são seus itens, armadura, anéis, armas e outros;
  • Habilidades: Em Shadows, cada personagem pode usar até três habilidades de vez, essas habilidades consomem mana e podem receber upgrades dependendo do jogador. Infelizmente não há uma vasta árvore de habilidades disponível, porém, é possível trocá-las quando você quiser;
  • Talentos: São basicamente habilidades passivas e à medida em que você subir de nível os espaços para equipá-las serão desbloqueados;
  • Atributos: Como o nome já diz, são os atributos de seu personagem, cada personagem tem um ''foco'' diferente do outro, assim como em qualquer RPG... um mago terá foco em magias, um bárbaro será mais bruto, etc. A cada nível você ganhará cinco pontos de atributo para distribuir entre Força, Agilidade, Resistência e Determinação;
  • Essências: São como encantamentos que podem ser colocados nos equipamentos para melhorar certos atributos.
Junto dessas possibilidades de combinações vem o problema do gerenciamento... são tantas opções que você as vezes fica perdido ou simplesmente fica com preguiça de gerenciar tudo, por exemplo, ao subir de nível você terá que gerenciar seus 3 personagens e o Devorador, aprimorar as habilidades, talentos e atributos de cada um. No começo, quando você controla só um ou dois personagens é bem tranquilo, mas depois que o sistema se mostra pouquíssimo usual, faltando um pouco capricho na hora de elaborar esse sistema, talvez se ele fosse mais simples (ou com menos opções) a experiência fosse melhor.

Fora a questão do combate dinâmico possibilitado pela alternância entre mundos, contendo os famigerados quebra-cabeças, que funcionam muito bem de maneira geral e usam de forma interessante a mesma mecânica de transição, entretanto, não espere por algo inesquecível, principalmente porque a grande maioria deles não oferece um real desafio metal.

Outro problema da jogabilidade é a movimentação e a resposta dos controles, faltou polimento em relação a execução dos comandos de ataque. Por exemplo, ao clicarmos para realizar uma ação como acionar uma alavanca ou atacar um inimigo nosso personagem as vezes obedece de maneira errada e acaba executando uma outra ação, como por exemplo andar em uma direção contrária. Mesmo jogando com um controle esses problemas são comuns, e certas vezes até irritantes.

Os gráficos são muito bonitos e ajudam na imersão, é perceptível que detalhes não foram poupados, cada mundo possui suas semelhanças e diferenças, mas tudo muito bem caprichado.

A parte técnica do jogo também é satisfatória, mesmo com os bugs recorrentes. Há alguns problemas gráficos como objetos não renderizando ou brotando na tela do nada, problemas relacionados a animações e cutscenes não executando, além de outros problemas bizarros como este. Mas devo salientar que nenhum desses problemas citados comprometeu a minha experiência ao longo da campanha, na verdade, presenciar alguns desses bugs foi bem engraçado.

A dublagem é boa e conta com vozes como a do famoso Tom Baker (Doctor Who), mas infelizmente não posso dizer o mesmo da trilha sonora, que serve como um péssimo coadjuvante e as vezes se mostra ausente em comparação com outros jogos do mesmo gênero. Meio dispensável.

Por mais que o jogo seja bem trabalhado na parte do enredo e jogabilidade, ele ainda carece de coisas extremamente simples que podem ser corrigidos em uma atualização no futuro, como por exemplo a falta de uma opção para se alterar a dificuldade escolhida no começo da jornada ou um esquema de controles melhor.

Infelizmente o jogo não conta com localização para Português do Brasil, o que pode deixar quem não entende Inglês de fora e fazer com que esses jogadores percam um dos principais elementos do jogo, mas gostaria de deixar um convite para quem quiser ajudar na localização feita por fãs no site da Tribo Gamer.

Conclusão: O grosso de Shadows: Awakening está na sua jogabilidade dinâmica e enredo rico em detalhes, duas das principais características de todo ARPG, seu preço atual (R$79,00) é alto, mas o fator replay compensa. Os problemas são mínimos e não devem prejudicar sua experiência como jogador, tornando-o uma recomendação fácil mesmo para quem nunca teve experiência com esse estilo de jogo, agradando principalmente quem busca por algo desafiador, mas também podendo agradar jogadores mais casuais, pois a diferença entre suas dificuldades é gritante.
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