Review | Furi

Antes de mais nada, saiba que é altamente recomendado o uso de um controle para jogar este game, jogar no teclado e mouse não é impossível, mas a dificuldade será consideravelmente mais alta e sua experiência poderá não atingir seu ápice orgasmático.

Meu primeiro contato com Furi foi dramático, morri tantas vezes que acabei abandonando e só voltei a jogar dois dias depois... O jogo é uma mistura de Hack 'n' Slash e Bullet Hell, ou seja, é um game que aposta muito na dificuldade. Para você ter uma ideia: Nem mesmo as conquistas são liberadas caso você jogue na dificuldade ''Fácil'' (o que foi o meu caso depois do primeiro chefe).

"O Carcereiro é a chave. Mate-o e você estará livre." O enredo é meio superficial, nosso personagem é um sem nome que após ser libertado pelo coelho da páscoa por ''The Voice'' (um ser misterioso que usa um chapéu de coelho) vaga por uma prisão em busca da saída, logo no início do jogo ''The Voice'' explica que para escaparmos da prisão temos que derrotar os chefes (é daí que vem ''O Carcereiro''). Enquanto percorremos nossa jornada em busca da liberdade somos acompanhados pelo coelho misterioso, inclusive ele é muito tagarela e a maior parte dos diálogos ficam por conta dele, antes de cada chefe ele costuma revelar algumas informações sobre os inimigos. Aproveitando que cometei sobre os diálogos, lá vai uma critica sobre essa característica do jogo... Um fator que me incomodou muito foi a lentidão na transição entre os chefes. As caminhadas são longas e tediosas, se ao menos houvesse um recurso para explorarmos os cenários em busca de itens, segredos, ou qualquer coisa mais interativa que andar ou ficar olhando seu personagem caminhando lentamente... Eu não ousaria dizer que isso irá estragar seu jogo, mas é um ponto que deve ser levado em consideração.

A jogabilidade é fluída e agradável, todos movimentos dos personagens foram bem desenhados, cada chefe tem ataques únicos e formas diferentes de agir, o que mostra que Takashi Okazaki fez um ótimo trabalho com o boss design. Ultimamente ando jogando muitos jogos desses estilos (Bullet Hell, Boss-Based e Hack 'n' Slash), por isso me acostumei mais facilmente ao gameplay, mas creio que qualquer um jogando no controle irá dominar as habilidades em poucos minutos. Agora, jogar Furi não se trata somente de dominar as habilidades, o jogo é inteiramente focado em Boss-Based, isso significa que cada chefe foi unicamente construído para te destruir, a estratégia dos carcereiros se baseia em executar uma série de combos para te causar dano, em contrapartida você deverá desviar dos ataques e executar contra-ataques no tempo correto com o intuito de destruir as barras de vida dos chefes, e falando nisso... Assim como nosso personagem, os chefes tem várias barras de HP (vida), a cada barra destruída o chefe se "transforma" e fica mais furioso, como se fosse um ''modo turbo''. É importante lembrar que jogadores que não estão habituados com games desses estilos provavelmente irão se irritar, pois morrer excessivamente é muito mais do que comum e o rage compõe o conjunto da obra.

Minha única critica em relação aos movimentos e a jogabilidade em geral é o timing em relação ao momento em que você pressiona o comando e ele ser executado in-game, inclusive esse foi um dos motivos que me fizeram perder a paciência com o jogo no começo, parece que algumas vezes o comando falha e o personagem não executa o movimento, muitas vezes você aperta o botão para desviar de um ataque, mas o personagem não desvia.

Em relação aos gráficos... Furi não possui o visual mais original possível, mas o visual minimalista combinado com as cores e design dos cenários são muito bonitos e agradáveis de se olhar, diferente dos voxels que me incomodaram Nex Machina. Até onde pude testar, o jogo está bem otimizado e acredito que mesmo máquinas com placa de vídeo integrada conseguirão rodar o jogo normalmente (nem que seja a 30fps e 720p).

Furi também conta com uma excelente trilha sonora focada em músicas eletrônicas, a trilha foi composta pelos artistas Carpenter Brut, Danger, The Toxic Avenger, Lorn, Scattle, Waveshaper e Kn1ght exclusivamente para o jogo. As músicas são eufóricas e viciantes, além de combinarem muito com o visual e jogabilidade.

Um extra que recomendo aos interessados é o documentário ''Making of Furi''. São quatro episódios de mais ou menos 12 minutos cada, cada episódio é focado em um aspecto do desenvolvimento: Conceito, jogabilidade, arte e animação, e música. Katya Mokolo (o diretor) acompanhou os desenvolvedores por dois anos, desde os conceitos básicos até o lançamento. Infelizmente o documentário não está legendado em Português do Brasil, é realmente uma pena.
Todos sabemos que o ''vale a pena ou não'' é muito subjetivo, por exemplo, um usuário fissurado pelos estilos Bullet Hell e Hack 'n' Slash poderia facilmente comprar Furi pelo full price e achar que o valor é justo, enquanto um usuário que prefere jogos de corrida e esportes poderia comprar Furi com 50% de desconto e achar que pagou muito. Mesmo tendo adorado o jogo, acredito que R$50,00 seja um valor muito alto pelo o que ele apresenta, principalmente quando levamos em conta que lá fora o jogo custa US$20. Se os publicadores usassem a conversão recomendada pela Valve o valor cobrado seria de R$36,99 (um valor bem mais em conta).

Enfim, no geral Furi é excelente jogo indie, uma obra composta por uma ótima trilha sonora que combina perfeitamente com seus visuais agradáveis e tudo mais, porém é um jogo muito restrito aos jogadores mais hardcore, jogadores que têm preferencia por jogos que apostam na dificuldade extrema misturada com a velha mecânica de tentativa e erro.
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