Review | Space Hulk: Tactics

Space Hulk: Tactics é um jogo de estratégia baseado no jogo de tabuleiro Space Hulk, ambientado no vasto e complexo universo Warhammer 40.000, que por algum motivo não se popularizou no Brasil, infelizmente, já que o material base aparenta ser extremamente rico em detalhes, um prato feito para quem é fã do universo.
Mas e aí, o que é esse tal de Warhammer?
Bem, se você fez essa pergunta infelizmente tenho uma péssima notícia para te dar. Space Hulk: Tactics muito provavelmente não é pra você e o porquê disso está em sua essência, sendo ela uma adaptação que não trás consigo o básico da lore criada pela Games Workshop por mais de 30 anos, ou seja, é um conteúdo para quem já foi iniciado nesse universo, principalmente no que diz respeito as Space Hulks. Mas, por sorte estou aqui e serei o seu guia nessa expedição.Em Warhammer 40K, após milênios de conflitos, a guerra se tornou uma constante no universo, inclusive, uma das citações mais famosas da lore diz: ''Ser um homem tais tempos é ser um entre incontáveis bilhões. É viver no regime mais cruel e sangrento imaginável. Estes são os contos destes tempos. Esqueça o poder da tecnologia e da ciência, pois há muito foi esquecido, para nunca ser reaprendido, esqueça a promessa de progresso e compreensão, pois no futuro sombrio só há guerra. Não há paz entre as estrelas, apenas uma eternidade de carnificina e matança, e o riso dos deuses sedentos''. Enfim, esses conflitos intermináveis ao longo dos milênios acabam por deixar suas marcas, as Space Hulks, naves e aglomerados de naves supostamente abandonados que vagam à deriva através do vácuo da Via Láctea. Muitas vezes, tais naves e aglomerados são tão colossais que possuem sua própria atmosfera e gravidade.
A história do jogo se situa em uma dessas Space Hulks, mas não em uma qualquer, se trata da lendária Forsaken Doom (uma espécie de Holandês Voador da era espacial), um nome pronunciado com temor por tripulações espaciais, a sombra da noite, um mito, um pesadelo, porém real... Quando a grande nave Blood Crusader da Legião dos Blood Angels (uma das 20 Legiões originais dos Space Marines) está voltando para casa após uma batalha brutal, um SOS vindo do planeta-forja Gorgonum surge: A colossal Forsaken Doom está em rota de colisão com o planeta, e a única esperança de bilhões de vidas são esses nobre irmãos.
Em Tactics nós podemos escolher entre dois lados para se jogar, o lado dos Space Marines, que são uma especie de fuzileiros espaciais moldados com bioengenharia, e os Genestealers, uma facção dos Tyranids, que por sua vez são uma das várias raças de alienígenas deste gigantesco universo. Com isso, o jogo é capaz de te oferecer certo fator rejogabilidade, além de visões distintas de um confronto.
Pois bem, em termos de jogabilidade temos um jogo sólido, com duas campanhas interessantes que contam com tutoriais meio simples, mas competentes. O que você não conseguir pegar no tutorial, certamente conseguirá pegar facilmente jogando uma ou duas missões de cada lado.
Como Blood Angels o jogo funciona da seguinte forma: Há um mapa onde você "caminhará" com seu pelotão em busca de recursos (que podem ser usados para realizar certas modificações na tropa) e de objetivos, assim como em um jogo de tabuleiro. Ao longo dos caminhos você terá diferentes objetivos para cumprir e encontros ocasionais com grupos de Genestealers que infestaram o Hulk.
Os Marines são lentos devido ao seu porte físico avantajado, fisionomia sobre-humana e equipamentos robustos, mas como vantagem possuem a força física e um poder de fogo perfeito para combates à longa distância. Além disso, eles possuem diferentes tipos de habilidades e especialidades em combate, alguns podem ressuscitar companheiros mortos, outros possuem visão ampliada no campo de batalha, outros possuem facilidade com ataques corpo a corpo, e por aí vai.
O fato deste jogo ser uma adaptação do jogo de tabuleiro trás certas questões à tona, como por exemplo o fato do mapa ser relativamente mais estreito do que o comum, da jogabilidade acontecer em turnos e de ser necessário PA (pontos de ação) para realizar quaisquer ações, sejam elas relacionadas a interação, ataque ou defesa. Também temos a parte de gerenciamento de cartas, que por algum motivo é meio deixada de lado no tutorial, mas é tão simples de compreender quanto todo o resto relacionado jogabilidade. Três cartas serão aleatoriamente distribuídas a cada turno e cabe ao jogador escolher utilizá-las, ignorá-las, convertê-las em PA (no caso dos Marines) ou convertê-las em pontos de criação que são utilizados para criar novas unidades a cada turno (no caso dos xenos).
No lado dos xenos toda a parte relacionada as cartas, pontos de ação, movimentação e exploração dos caminhos funciona basicamente da mesma maneira que na campanha dos Blood Angels, as grandes mudanças aqui ficam por conta da história e dos objetivos. Jogar com os Genestealers não só mostra como é o outro lado da moeda, como dá certo contexto a história, já que mostra acontecimentos passados da Forsaken Doom. Quanto aos objetivos, bem, na verdade é o objetivo, os Tyranids são conduzidos pelo objetivo comum de apenas exterminar toda forma de vida que seja diferente deles, ou seja, você basicamente tem que destruir os Space Marines, nesse caso, impedir que os inimigos cumpram sua missão já basta para prosseguir.
Os Genestealers são exatamente o oposto dos Marines, eles são pequenos, mas são rápidos e implacáveis. Também temos diversos tipos de unidades com diferentes habilidades e especialidades para compor nosso esquadrão, alguns podem desaparecer instantaneamente durante a missão, outros deixam o caminho pelo qual percorram contaminado e fazem com que os inimigos gastem mais PA ao percorrer tal caminho, outros são mais resistentes à ataques, e por aí vai.
Ao finalizar uma missão você receberá prêmios, enquanto joga de Blood Angels você receberá componentes (recursos utilizados para customização de cartas e tudo mais) e armas para seu pelotão, e enquanto joga como Genestealers você receberá pontos de DNA (semelhante aos recursos).
Jogando como Marines também teremos que tomar certas decisões na hora de explorar o mapa, como por exemplo mandar um Irmão do pelotão cuidar de um imprevisto e seguir em frente com a missão. Particularmente achei o sistema simples demais, eu diria até mesmo dispensável.
Infelizmente o modo online está ''morto'' desde seu lançamento, pelo menos no PC. Tentei por várias vezes achar jogadores para uma partidinha, até cheguei a fazer algumas visitas ao fórum e tentei reunir uma galera para jogar, mas não consegui, e você provavelmente está se perguntando o motivo disso. Bem, acontece que as comunidades desse gênero de jogo é relativamente pequena e, pra piorar, a comunidade de Warhammer 40K também é, tudo isso faz com que a comunidade extremamente ''restrita'' não consiga povoar o modo online, consequentemente os poucos jogadores que ainda ousam se aventurar por Space Hulk ficam extremamente desanimados de se arriscar no online. Fora que, ao exploramos os menus é perceptível que os desenvolvedores deram um enorme foco ao online, visto que há todo um sistema complexo para criação de mapas, pelotões e até mesmo personalização de personagens. Uma situação que lembra um pouco o que aconteceu com o Snapmap e online de DOOM (2016), onde deram muito foco aos modos e a comunidade não fez jus ao trabalho. Sinceramente, é bem triste ver isso acontecer, ainda mais porque nas minhas visitas ao fórum percebi que a comunidade do jogo gostou do que viu nas campanhas, talvez o jogo pudesse oferecer seu conteúdo de maneira melhor se os desenvolvedores tivessem dado mais foco ao single player.
A qualidade visual é impressionante, este é um jogo muito bonito e simplesmente não há do que reclamar no que diz respeito aos gráficos, além disso, o trabalho de otimização segue a mesma qualidade, o jogo é fluido, responsivo e entrega visuais tão impressionantes quanto os vistos em seus maravilhosos trailers. Por algum motivo bizarro foi incluído um modo primeira pessoa, talvez para dar imersão, mas sinceramente, posso contar nos dedos as vezes que o utilizei durante a jogatina, não faz muito sentido ter essa perspectiva em uma adaptação de jogo de tabuleiro do qual o jogador precisa estar atento a movimentação dos inimigos pelo mapa o tempo inteiro.
Um ponto um pouco menos relevante que acho interessante mencionar é o fato do jogo estar completamente traduzido para Português do Brasil, coisa que é extremamente rara de se ver em qualquer conteúdo relacionado à série Warhammer. A tradução é ok, conta com alguns erros e há algumas pequenas adaptações que na minha opinião não foram feitas com o cuidado necessário, principalmente pelo fato de muitos termos não terem tradução adequada e isso acarretar em adaptações literais que causam certa estranheza, mas levando em consideração que há pouquíssimo material localizado fico feliz pela publicadora se importar com o mercado lusófono.
Conclusão: Space Hulk: Tactics definitivamente agradará velhos conhecidos da série e jogadores hardcore de jogos de tabuleiro, além disso, conta com um elaborado tutorial que ajuda na bastante na introdução para quem nunca jogou esse gênero, entretanto, peca por dar foco ao modo multiplayer que ''já nasceu morto''. Fora isso, também falha ao introduzir novos fãs à série, creio que minha recomendação seria bem mais simples se ele fosse um pouco mais convidativo a quem não possui familiaridade com o universo.


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