Review | This is the Police 2

Eu não vou cometer os mesmos erros do último xerife.
Nos primeiros 30 minutos de jogo nós acabamos nos envolvendo com uma xerife de uma cidade chamada Sharpwood e nos tornamos uma espécie de conselheiro do departamento de polícia. Os desenvolvedores optaram por seguir um caminho contrário do que comumente vemos nos jogos e em vez de apresentar uma cidade maior para ''controlarmos'', resolveram ambientar o jogo em um condado, o que a primeira vista pode decepcionar quem busca por complexidade nas questões relacionadas a jogabilidade, entretanto, o jogo apresenta melhorias consideráveis em relação ao seu antecessor, como por exemplo a introdução de um modo de turnos do qual o jogador precisará coletar diversos itens ao longo dos chamados policiais e usar esses itens para conseguir pistas referentes as operações especiais, como por exemplo a quantidade e posição dos inimigos que estão no local. Fora isso, essas ocorrências ainda proporcionam acontecimentos que influenciam na sua trajetória como comandante do departamento e no destino de seus policiais.
No geral, a história do jogo quase se mantém no mesmo nível de qualidade do primeiro título, com bons diálogos, personagens carismáticos e uma trama que consegue segurar o jogador, o problema é que esta sequência também compartilha dos mesmos problemas do primeiro título, na verdade, eles foram intensificados. Seu calcanhar de Aquiles é o ritmo em que a história é contada e a forma em que ela se mescla com a jogabilidade repetitiva, maçante e, por vezes, brochante. O modelo adotado faz com que as partes de estratégia e gerenciamento de recursos sejam simplesmente chatas para quem não está acostumado com o gênero, fora isso, ainda há o fator dificuldade. Este é um jogo do qual o jogador precisa pensar pelo menos dois ou três turnos (aqui divididos em dias de trabalho) na frente da máquina, você terá uma dezena de coisas para gerenciar e constantemente será bombardeado com ondas de má sorte que acabam desanimando um pouco.
Ao todo a campanha dura em torno de dois meses (no tempo do jogo, obviamente) dos quais você terá que gerenciar completamente o departamento e sua vida pessoal problemática, incluindo lidar com os problemas pessoais dos policiais alcoólatras e degenerados, questões pessoais e orçamentarias de Jack e do departamento, gerenciamento de suprimentos e comércio, resolução de casos, contratar e demitir pessoal, realizar operações táticas, e uma série de outras coisas.
Toda a parte de jogabilidade fica por conta do gênero estratégia, mas este jogo não se limita a só isso. A parte relacionada a narrativa é apresentada no estilo Visual Novel, onde praticamente tudo o que você faz é observar e ler, com exceção das poucas partes onde realizamos certas escolhas de diálogos, eu diria para relevar pois infelizmente tais escolhas são praticamente irrelevantes para a trama, visto que só há um desfecho.
Há uma melhoria considerável em relação as cenas, digo, em This is the Police 2 há cenas feitas usando animações e slides (como as do primeiro jogo) e cenas com captura de movimentos. As novas cenas possuem animações pouco reais, mas levando em consideração que todo jogo é representado por um estilo de arte diferenciado, acredito que seria impossível ou no mínimo injustificavelmente trabalhoso animar perfeitamente tais cenas. Mas se você jogou o primeiro jogo sabe que onde o jogo brilha pra valer é em sonorização fora do comum, principalmente ao que diz respeito ao trabalho da dublagem. O time de desenvolvimento da Weappy Studio está de parabéns por novamente conseguir apresentar uma das melhores dublagens que já vi em um jogo.
Desde o lançamento do primeiro jogo o time de desenvolvimento sempre buscou ouvir os fãs e atualizar o jogo da melhor maneira possível, inclusive incluíram um modo sandbox que era extremamente requisitado pelos fãs, mas parece que a comunicação entre os jogadores e os desenvolvedores foi deixara um pouco de lado neste título, o lançamento foi cercado de problemas técnicos, desbalanceamento de dificuldade e uma série de outros fatores que levaram o jogo a adquirir uma má fama. Fora isso, ainda é possível notar uma falta de cuidado com coisas ''menos importantes'', como por exemplo o fato da sequência não possuir suporte a resoluções ultrawide (21:9).
Conclusão: A continuação da história de Jack Boyd é relativamente sólida, mas infelizmente não se desprende de seus problemas, em vez disso ele acaba os agravando.
Boa história, excelentes atuações, trabalho de narrativa e direção de arte fantásticos, mas uma jogabilidade pra lá de mediana que conta com vários problemas, entre eles a repetitividade, desbalanceamento de dificuldade, má gerenciamento de recursos e outros. O jogo não é de todo mal, mas para quem jogou o primeiro ficará a sensação de que poderia ser muito melhor, pois em vez de evoluir, parece que regrediu.


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