Review | Space Hulk: Deathwing - Enhanced Edition

Quando minha jornada nesse Space Hulk começou, relutei em acreditar que havia me deparado com outro jogo que não dava uma introdução adequada ao universo Warhammer 40K, mas infelizmente eu estava certo. Assim como Space Hulk: Tactics, o Deathwing mostra-se como uma boa escolha para quem é fã ou pelo menos já está introduzido no universo, mas provavelmente deixará a desejar para quem por acaso caiu nesse emaranhado de detritos espaciais dessa que considero uma das maiores e mais ricas obras da atualidade.
Em 40K, após de milênios de expansão, conquista e conflitos o Império dos Homens e seus inimigos deixaram um legado de destruição por onde passaram. Graças a tais conflitos intermináveis existem as Space Hulks, naves e aglomerados de naves gigantescos que vagam à deriva através do vácuo da Via Láctea. Muitas vezes, tais naves e aglomerados são tão colossais que possuem sua própria atmosfera e gravidade, além de guardarem segredos e muitas vezes terem suas próprias histórias que, com o passar dos anos, se tornaram lendas.
A campanha solo coloca o jogador no lugar de um Librarian (e não se deixe enganar pelo nome, os caras são osso duro de roer) da elite dos Dark Angels, a primeira companhia dos Space Marines, conhecida como Deathwing, enquanto realiza uma incursão em grupo à bordo de um Space Hulk com o intuito de realizar uma série de missões primeiramente de cunho investigativo que com o passar do tempo vai evoluindo para outros tipos. Os Librarians, ao contrário de outros Space Marines, podem usar o poder psíquico da Warp, também conhecido como Immaterium.
Como assim poder poder psíquico? Warp? Imma-o quê?
Percebe como é complicado jogar Space Hulk sem o devido conhecimento prévio? Pois é, a Warp é uma dimensão espelhada puramente constituída de energia psíquica que ecoa e subjaz às quatro dimensões do universo material, ela existe como um espelho em paralelo à nossa realidade e é o domínio dos Deuses do Caos, mas isso é um assunto para outra hora. O que você precisa saber é que no passado os homens usavam a Warp como veículo para percorrer distâncias incalculáveis à fim de conquistar e que, os Librarians (também chamados de Psykers), são capazes de ''drenar'' seus poderes diretamente da Warp de modo que se pareçam como um espécie de mago do futuro.Como eu disse antes, infelizmente o enredo não é a melhor pedida para quem não conhece Warhammer 40K, falta profundidade em relação aos termos, conceitos, acontecimentos, classes e tudo mais, fora isso, a forma como ele é contada (diálogos entre missões) não cativa o jogador a querer saber o que vai acontecer em seguida, por vezes, você acaba jogando por jogar ou apenas para explodir uns crânios alienígenas. E por falar neles, dentro do conceito de Space Hulk os principais antagonistas desses aglomerados de destroços são uma espécie de alienígenas da raça dos Tyranids, conhecidos como Genestealers. Esses vermes de diversos tipos vivem quase exclusivamente para destruir toda e qualquer forma de vida que não semelhante, no jogo, esses xenos (como são chamados pelo Império dos Homens) infestaram o Space Hulk e prometem causar certo incômodo ao jogador.
Mas se o enredo é fraco, a jogabilidade compensa.
Warhammer 40K possui dezenas de jogos dos mais variados gêneros, mas para Deathwing a desenvolvedora Streum On Studio, juntamente com ajuda da Cyanide, resolveram optar por um gênero diferente, inaugurando o Tiro em Primeira Pessoa nessa longa lista de títulos derivados. Isso trouxe certa perspectiva diferenciada para quem é fã e estava acostumado a jogar jogos de estratégia, além de garantir um pouco mais de ação e, na minha humilde opinião, imersão.Além de seus poderes, os Librarians também usam o armamento tradicional dos Space Marines, como a clássica metralhadora Storm Bolter e uma Power Sword. Além disso, há uma grande gama de opções no que diz respeito aos recursos disponíveis para o combate, tais como: Várias classes do universo que servem como as tradicionais (médico, suporte, entre outras), armas brancas e de fogo dos mais variados tipos, habilidades especiais, e mais. Tudo isso garante certo fator rejogabilidade, além de exigir equilíbrio caso você opte por jogar com amigos. Aliás, o jogo possui um excelente modo cooperativo que é extremamente recomendado caso você queira ter uma experiência além da convencional, fora que, conta com sistema de níveis e recompensas para desbloqueio de recursos cosméticos e melhorias para seu arsenal.
A ação resume-se em fuzilar, decepar e dilacerar tudo o que estiver em seu caminho e se mover, assim como em DOOM, porém menos frenético, já que o porte físico dos Space Marines é consideravelmente mais robusto do que o comum. O que pode ser um empecilho para quem busca por uma experiência com mobilidade e combate mais ágil, mas a meu ver não compromete a obra, apenas a torna diferenciada. Apesar de simples em relação ao combate, o conteúdo é vasto, nesse prepare-se para jogar por algumas dezenas de horas caso queira completar tudo o que o jogo propõe. No total, são 9 missões da campanha e diversas missões especiais, que servem como uma campanha à parte com objetivos aleatórios e garantem ainda mais conteúdo.
Visualmente deslumbrante
Ao percorrer os corredores excessivamente estreitos e claustrofóbicos, os salões colossais e áreas minuciosamente detalhadas fica fácil compreender o quão rica é a ambientação. Dentro do Space Hulk você vai se deparar com uma atmosfera extremamente evolvente e imersiva que definitivamente garantirá satisfação em explorar os enormes mapas do jogo, fora toda a questão das relíquias (colecionáveis) espalhadas pelas missões.Graficamente falando, temos aqui um excelente exemplo de jogo que mescla a otimização com o visual. Apesar de apresentar quedas de frames ocasionais, o jogo é bastante responsivo e roda bem mesmo nos momentos mais inconvenientes possíveis, como por exemplo no meio de uma batalha onde você e outros três companheiros estão atirando dardos explosivos em dezenas de inimigos ao mesmo tempo em um salão gigantesco e repleto de detalhes. A maioria das texturas são de alta qualidade e os modelos de armas, armaduras e inimigos são extremamente detalhados ao ponto de me surpreender em como ele consegue ser tão fluido e bonito ao mesmo tempo.
Conclusão: Space Hulk: Deathwing é um bom jogo de Tiro em Primeira Pessoa com alto fator rejogabilidade, desafiador em suas dificuldades mais altas e extremamente divertido de se jogar com amigos. O jogo conta com uma ambientação fantástica e rica em detalhes, atmosfera imersiva e se mostra como um prato cheio para quem é fã da franquia Warhammer 40K, mas infelizmente é mais uma obra que falha ao introduzir novos fãs a série e, por isso, torna-se um pouquinho menos recomendável para quem se importa mais com história e menos com a jogabilidade.
Atenção: Não confunda este jogo com o Deathwing original! A versão ''Enhanced'' é uma especie de remasterização que conta com diversas melhorias, correção de problemas e recursos adicionais em relação ao jogo antigo. Não cheguei a testar o original, por isso saiba que esta análise foi baseada exclusivamente na Enhanced Edition.


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