Review | Thronebreaker: The Witcher Tales

"Mesmo quando a paz reina, o perigo governa este caminho. E hoje em dia... hoje em dia ninguém ousa atravessá-lo." - Rayla

Com todo o sucesso que The Witcher 3 fez, a CD Projekt Red viu uma oportunidade de enriquecer ainda mais o universo que nos encantou no passado e anunciou Thronebreaker: The Witcher Tales, um RPG de cartas single player, uma versão stand-alone do mini game presente no terceiro título da saga, o GWENT. Apesar de ser um derivado, é importante mencionar que não é necessário conhecer a fundo as mecânicas do GWENT para ter uma boa experiência neste jogo, na verdade, eu diria que The Witcher Tales é único a sua maneira, principalmente pelo fato de apresentar ótimas novidades relacionadas as mecânicas de jogo e características de RPG que incrementam muito e o tornam um jogo de cartas diferenciado dos demais.

O jogo conta a história de Meve, a rainha de Lyria e Rivia, durante o período conhecido como Segunda Guerra do Norte, um grande conflito envolvendo os Reinos do Norte e o Império Nilfgaardiano (incluindo todas as suas províncias existentes). Aqui entra um possível problema para quem não está muito familiarizado com os acontecimentos desse universo, pois apesar de ter uma boa (e até um pouco lenta) introdução, este jogo não consegue mostrar tão bem aos novos jogadores o universo como o último jogo lançado, e por isso talvez não tenha um impacto tão grande para quem não conhece a história. Enfim, Meve se vê traída por aliados e embarca em uma jornada com intuito de reunir um novo exército com o objetivo de se vingar e recuperar sua coroa.

A medida em que você vai avançando pelos cenários e interagindo com o mundo, o enredo é contado ao melhor estilo audiolivro misturado com uma espécie de Visual Novel, com narrador e tudo. Ele é sólido, conta com bons personagens, diálogos interessantes e reviravoltas que prendem o jogador e fazem com que você não queira parar de jogar.

O que torna Thronebreaker: The Witcher Tales tão especial é o fato de que cada interação é única, seja uma batalha importante da história ou um quebra-cabeças secundário. Em todas essas interações há regras especiais das quais você deverá seguir para prosseguir, tais como destruir uma carta especial contextuada na história (tipo um portão ou uma barricada de soldados que está no seu caminho), resgatar um aliado sequestrado, derrotar o inimigo antes de determinada rodada, enfim, são inúmeras regras especiais. Outra coisa que faz um tremendo diferencial aqui é o fato da história e suas decisões ao longo do caminho moldarem seu baralho em relação aos personagens que você interage, por exemplo, existem personagens que se juntarão ao seu exército (baralho) somente se você fizer "tal escolha" e, caso não passe por "aquele caminho" (já que há certa exploração envolvida), talvez nem o conheça. Tudo isso acrescenta um belo fator re-jogabilidade e acaba por fazer com que você queira jogá-lo mais de uma vez.

Aliás, já que falei em exploração, o jogo é apresentado da seguinte forma: Vão ter vários mapas dos quais você andará quase livremente e poderá interagir com diversos objetivos secundários, além de coletar recursos para melhorar seu exército criando novas cartas ou desbloqueando melhorias na árvore de habilidades, mas xiste um problema relacionado ao fato do jogo encorajar a questão da exploração e realização de objetivos secundários, que nem sempre pode  recompensar à altura, como por exemplo quando você tem que enfrentar um ou dois conflitos à fim de obter um mísero avatar para usar em outro jogo, sim, há vários extras dos quais você corre atrás e no final são apenas itens cosméticos para usar no Gwent: The Witcher Card Game, sendo uma escolha miserável e um tremendo desperdício de oportunidade por parte do design, afinal, nem todo mundo que comprou Thronebreaker se interessa por jogos online.

Uma arte fantástica do mesmo nível da encontrada na introdução de The Witcher 3 e um trilha sonora contagiante ajudam a complementar a experiência imersiva do jogo, seu mundo, apesar de simples, conta com belos cenários que remetem muito aos vistos no último capítulo da saga do bruxo Geralt. Ainda sobre a sonorização, entre uma dublagem e localização em Português do Brasil quase impecáveis, meus olhos atentos só conseguiram encontrar duas ou três ocorrências de erros ortográficos, a mais grave, um erro na digitação do nome de uma das personagens, trocaram ''Rayla'' por ''Reyla''.

Conclusão: Thronebreaker: The Witcher Tales é um agradável retorno ao mundo de The Witcher, o RPG de cartas single-player da CD Projekt Red conta com uma história envolvente, personagens marcantes e bem trabalhados, jogabilidade que torna cada batalha e interação únicas, arte maravilhosa, trilha sonora contagiante e bastante conteúdo de nível superior se comparado com outros jogos de cartas de um jogador. No geral, temos aqui um jogo extremamente polido que provavelmente agradará quem gostou de desbravar o mundo de The Witcher 3 para ocasionais partidinhas de GWENT e/ou jogadores aficcionados por jogos de cartas.
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