Review | Seasons After Fall

Nós controlamos uma raposinha que apesar de não falar é pra lá de carismática e fofa, nosso objetivo inicialmente é explorar o mundo em busca dos guardiões da floresta e de seus poderes com a finalidade de realizar um misterioso ritual. Já deu para perceber que é um jogo bem casual, né?! Pois é, o jogo não possui inimigos e nem se quer te dá a chance de morrer, seu maior desafio serão os puzzles (quebra-cabeças) presentes. Não estou falando que a casualidade apresentada seja um ponto negativo, muito pelo contrário, muitas vezes jogos com essa proposta são mais agradáveis de se jogar, é aí que você percebe que alguns jogos são mais do que capturar um objetivo, atirar randomicamente em alvos ou correr de um lado para o outro.
O clima, o visual e até a jogabilidade lembram um pouco Ori and The Blind Forest. É tudo muito lindo e parece ter sido feito à mão, quando estamos jogando fica claro a evolução que a Swing Swing Submarine teve em relação aos seus outros títulos, o capricho da direção de arte é evidente.
O jogo apresenta uma mecânica que mistura as estações do ano e suas respectivas características para resolver puzzles, ou seja, cada vez que você usa um dos quatro poderes existentes para alterar a estação todo o cenário muda, a suavidade em que as características dos cenários se alternam é perfeita, porém tudo isso faz com que os cenários sejam muito parecidos e acabe causando certa confusão na hora da exploração, isso foi uma das coisas que mais me incomodou enquanto jogava... O fato do jogo ser focado em ser transmitir uma sensação de liberdade, mas ao mesmo tempo ser muito carente de informações. Em um certo momento do jogo ele te dará liberdade (a medida do possível) para escolher qual caminho seguir, isso faz com que ele lembre um pouco os jogos do gênero metroidvania (basicamente um jogo de plataforma em mundo aberto), o problema é que essa liberdade vem acompanhada com um mundo relativamente grande e cheio de cenários que são bastante parecidos, ou seja, você provavelmente se perderá pelo mapa sem saber o que fazer, isso é deveras frustrante, afinal o jogo não possui minimapa. Hollow Knight é um bom exemplo de metroidvania que é focado em narrativa e que não possui esse problema, afinal o jogo conta com um minimapa que pode opcionalmente ser escondido durante o jogo. Firewatch é outro jogo focado em narrativa onde esse problema de ficar perdido ou sem saber o que fazer não acontece, pois existe mapa...
O início de Seasons é bastante cansativo, nós basicamente vamos de um lado para outro, indo e voltando... Mas, com o passar do tempo você adquirirá novos poderes e consequentemente os puzzles se tornarão mais complexos e interessantes.
Em um jogo que existem poucos personagens para serem trabalhados é quase imprescindível que a dublagem tenha uma boa qualidade, felizmente o jogo conta com uma excelente dublagem (em Inglês) e excelentes efeitos sonoros, sem falar na trilha sonora... Assim como DOOM (2016), se você retirar a trilha sonora da obra ela acaba se tornando algo aquém do comum, sem vida e sem alma, o mesmo ocorre com Seasons. Não consigo nem se que imaginar o quão triste seria jogar este game sem sua trilha sonora marcante, seria um desperdício completo.
Visualmente o jogo é incrível, mas mecanicamente... Bem, acontece que há pequenas falhas na jogabilidade, principalmente ao executar pulos. Por exemplo, há um objetivo, uma plataforma para ser alcançada, você pula em direção a plataforma e consegue alcançá-la, mas a raposa cai sem explicação, como se você não tivesse alcançado o objeto. Houve momentos em que tive que realizar o mesmo pulo mais de quinze vezes até conseguir chegar em um local, foi muito frustrante, sofri tanto quanto sofri em Cuphead. Ao que parece, as hitboxs de alguns objetos apresentam falhas ou não foram devidamente construídas. Outro ponto mais técnico que pode incomodar é a falta de capricho nas animações da raposa e dos outros personagens, os movimentos são meio robóticos, acredito que tenha faltado suavidade e capricho nisso, apesar de que parece ter sido deixado assim para que o jogo se parecesse com um desenho animado.
Como já é de costume dos jogos da Focus Home, infelizmente este jogo também não conta com tradução para o Português do Brasil, o que é lamentável, mas não acho que isso estragará sua experiência completamente, afinal não estamos falando de um RPG cheio de textos e diálogos.
Este jogo é um festival de arte e cores que com certeza deve ser admirado por amantes de jogos focados em narrativa, plataforma e puzzles, mas apesar de ser artisticamente lindo e contemplativo, Seasons After Fall possui alguns problemas que poderiam ser facilmente corrigidos com uma maior dedicação por parte dos programadores e isso não pode ser ignorado, por isso acredito o preço de R$37,99 cobrado seja um pouco alto e que talvez adquiri-lo com 40-50% de desconto seja mais justo. Enfim, é um bom jogo que lhe renderá pelo menos cinco horas de jogo, mas que provavelmente irá te frustrar em certos momentos.


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